Ok, posso até estar atrasada nesse post. Mas, assisti quando ele ainda estava em exibição nas salas de cinema pelo país e ainda quando me lembro me emociono bastante com a história. Não tem como não se emocionar. Quem já teve a experiência de viver com alguém querido passando por essa mesma situação sabe como é. E mesmo aqueles que nunca, mas que tem um pouquinho de sensibilidade tenta se colocar no lugar do outro e imaginar como duro é.

[caption id=”attachment_2591” align=”alignnone” width=”640”][Alec Baldwind e Julienne Moore. Imagem: Reprodução] [Alec Baldwind e Julienne Moore. Imagem: Reprodução][/caption]Bom, Julinne Moore no papel de Alice ganhou mais de 30 prêmios por sua atuação, de fato ela conseguiu retratar com força e ao mesmo tempo delicadeza todo o processo e mudança da personagem ao longo do avanço da doença de Alzheimer. E por incrível que pareça, apesar de não curtir muito Kristen Stewart como atriz, personagens sem expressão, sem diferença de um para o outro, até que nesse longa eu gostei dela, como a filha de Alice.

[caption id=”attachment_2590” align=”alignnone” width=”640”][Lydia e Alice, mãe e filha. Imagem: Reprodução] [Lydia e Alice, mãe e filha. Imagem: Reprodução][/caption]O longa se baseia num romance homônimo de Lisa Genova e conta a história de Alice - uma linguista de sucesso que aos 50 anos é diagnosticada com Alzheimer, coisa que é rara para a idade. Matriarca de uma família classe média alta de Nova Iorque, com uma família bem estruturada, inteligente e independente; vê sua vida, carreira e seu futuro se perder por causa de uma doença degenerativa, que causa demência.

O filme peca em alguns pontos, como a passagem de tempo - quanto tempo levou da descoberta da doença para a última cena: meses?! anos?!; também não mostra com afinco os dias em que Alice aproveita os últimos dias sã, em que sua memória ainda permanece firme. É sútil e deixa subentendido, mas poderiam ter explorado mais esses momentos.

Porém, todo o resto - apagões, esquecimento das simples palavras do dia a dia, dor e vergonha quando faz xixi na calça por ter esquecido o caminho do banheiro em casa, o precisar de outras pessoas para coisas básicas da vida, os momentos de euforia e até raiva, a preocupação e a relação com o marido John (Alec Baldwin) e os filhos: Tom (Hunter Parrish), Anna (Kate Bosworth) e a ligação mais forte que se estabelece com a filha mais nova Lydia (Kristen Stewart); tudo retratado intensamente, até a aparência e a diferença da Alice e plena sanidade e gás no auge da carreira e independência, e a Alice doente já sem lembrar como se diz borboleta.

E relembrar que passei por isso com meu avô. De já tê-lo visto tocando saxofone com tanta vida, e acompanhar ele esquecer os nossos rostos aos poucos, até chegar ao ponto de apontar pra uma mosquinha e não se lembrar de como se balbucia a palavra, bateu uma saudade enorme, apertou o peito, um nó na garganta formou e uma lágrima no olho brotou.

[caption id=”attachment_2592” align=”alignnone” width=”640”][Imagem: Reprodução] [Imagem: Reprodução][/caption]O filme mostra o quanto devemos ter paciência e aproveitar quem amamos, aproveitar a companhia enquanto ainda nos lembramos ou enquanto se lembram de nós, o quanto devemos aproveitar os momentos da vida.

Seu Milton já não está entre nós, assim como várias Alices que também se foram sem lembrar nossos nomes. Mas de uma coisa é certa: lembro dele todos os dias com muito carinho, ainda.

Ficha Técnica: Título: Para Sempre Alice/ Still Alice Ano: 2015 Duração: 1h40min Diretor: Richard Glatzer e Wash Wesrmoreland Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Hunter Parrish, Gênero: Drama